quarta-feira, 12 de agosto de 2009

TIMÃO QUER RIQUELME OU O "NOVO MESSI"

Dá para contar nos dedos os meias de qualidade que atuam no futebol brasileiro - Douglas era um deles. No entanto, sua ida para os Emirados Árabes deixou uma lacuna enorme no meio-campo corinthiano, além de uma tremenda dor de cabeça para o treinador. E, diga-se de passagem, Douglas - que abocanhou todos os títulos que disputou pelo Corinthians - não só foi importantíssimo para o esquema tático de Mano Menezes como também cansou de colocar os companheiros na cara do gol. E se antes o ex-camisa 10 do Timão era um dos mais cornetados pela torcida, agora sua negociação é profundamente lamentada - o que comprova como o torcedor é passional -, pelo menos até a chegada de um novo "maestro" - para o setor.

Nomes para assumir o lugar de Douglas não param de ser ventilados na imprensa. Os principais são Danilo - não sei qual seria a reação da torcida diante de um ex-tricolor -; e Riquelme - esse sim se encaixaria como uma luva. Mas diante das dificuldades da contratação do craque do Boca Juniors, eis que surge um estranho nome, mas credenciado como um eventual "novo Messi" e que conta com o aval do comandante alvinegro: Matías De Federico, que defende o Huracán, também da Argentina. Agora, se o portenho jogar tanto como mostram vários vídeos postados no You Tube, não é exagero acreditar que realmente um novo craque esteja surgindo, para o bem do futebol mundial.

Embora não se admita publicamente, Riquelme continua sendo a prioridade do Timão para compor a meia cancha - tanto que as negociações estão em andamento -, mas o jovem Matías, de 20 anos, surge como uma bela opção. Se o futuro armador for mesmo um dos dois hermanos, é bom os adversários começarem a se preocupar; afinal, Riquelme ou Matías ao lado do Fenômeno é sinônimo de gols, muitos gols.

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
jdmorbidelli@estadao.com.br

terça-feira, 11 de agosto de 2009

MITOLOGIA E CRISTIANISMO - ENTRE DEUSES E HEROIS

Desde suas origens na Antiguidade, a mitologia fascina o ser humano e confunde-se com a religiosidade, inclusive a fé cristã

José Donizetti Morbidelli
Jornalista

Os deuses do Olimpo devem estar em polvorosa. Em pleno século 21, na Era da Tecnologia, cada vez mais pessoas se interessam pela mitologia. Divindades, heróis e aventuras épicas que foram se acumulando ao longo da história da humanidade constituem um riquíssimo acervo de mitos, que, com base real ou não, povoam o imaginário das civilizações. E, tal como os imaginários habitantes do Monte Sagrado da Antiga Grécia, que envolviam-se com os mortais a ponto de gerarem filhos com eles, os mitos do passado vez por outra ressurgem com força, estimulando a arte, a crença e a imaginação de muita gente ao longo dos tempos. O segredo do mito é justamente este – com o passar dos anos, sua origem se perde no passado, a ponto de ninguém mais saber se referem-se a fatos reais ou não. Mas pouco importa: o valor do mito não está necessariamente na sua veracidade, mas na importância para o imaginário coletivo.
Num dos capítulos de O Livro de Ouro da Mitologia (Ediouro), escrito no século 18, o norte-americano Thomas Bulfinch apresenta três teorias defendidas por filósofos para explicar a origem da mitologia: a teoria alegórica, ou seja, simbólica e não condizente com a verdade propriamente dita; a teoria histórica, que, ao contrário da anterior, defende a hipótese dos mitos terem, de fato, existido em determinadas épocas; e a teoria bíblica, que pressupõe que as lendas mitológicas tenham se originado nas narrativas das Escrituras – embora a mesma tese também admita que as histórias tenham sido distorcidas no decorrer dos séculos. Independentemente de que teoria se aproxime mais da verdade, o que não se pode negar é que até hoje deuses e heróis da Antiguidade greco-romana ainda despertam enorme interesse, seja entre estudantes, pesquisadores e até teólogos – prova disso é que o livro de Bulfinch tem sido adotado por escolas e universidades em todo o mundo.
Se cada interessado por mitologia tem um motivo peculiar para se deixar levar por essas histórias fantásticas, o propósito que os move parece ser bastante similar, ou seja, tentar explicar o mundo contemporâneo alicerçando-se em supostos acontecimentos ou meras narrativas ocorridas num tempo não identificado, e que a literatura tratou de eternizar como lendas, ou melhor, como mitos. Etimologicamente, a palavra grega teogonia quer dizer origem dos deuses. Na literatura, Teogonia, de Hesíodo – o mais antigo entre os poetas gregos –, assim como Ilíada, de Homero, são as obras mais estudadas pelos especialistas no anseio de explicar a origem dos deuses e heróis da mitologia grega, isso desde o século 9 a.C. Passados quase três milênios, os estudos iniciados lá no passado ainda suscitam muitas dúvidas, e talvez o exemplo mais latente dessa incerteza seja se a mitologia pode, de fato, ser considerada uma religião. Para Jorge Pinheiro, pós-doutor em teologia e pastor da Igreja Batista de Perdizes, zona oeste de São Paulo, a resposta é não, embora as duas vertentes muitas vezes caminhem lado a lado: “Dos mitos restaram somente os rituais religiosos, os mistérios das seitas e a enorme influência de toda uma história da qual permanecem apenas os rastros”.


Conteúdo moral – Mestre em Ciências das Religiões, a advogada Maria de Fátima Moreira de Carvalho, que congrega na Igreja Assembleia de Deus de João Pessoa (PB), compactua com a afirmação do teólogo: “Mesmo que se refiram a deuses, mitologia não pode ser considerada religião; refere-se apenas a narrativas arcaicas que nos transmitem algum ensino moral”, afirma. Pode-se atribuir o início dessa desmitificação de deuses e ídolos gregos ao apóstolo Paulo, com seu célebre discurso realizado em Atenas, relatado no livro de Atos. Na capital dos filósofos do Mundo Antigo, ele mostrou-se perplexo com o ambiente de idolatria reinante naquela sociedade, a ponto de as pessoas adorarem a deuses desconhecidos. Foi justamente essa a deixa que ele aproveitou para falar-lhes de Jesus: “Esse, pois, que vós honrais sem o conhecer, é o que vos anuncio” (Atos 17.23).
Segundo o apóstolo, a religiosidade dos atenienses era imperfeita, embora aproveitável. Apesar dos atenienses continuarem militando nos caminhos da filosofia pagã, o discurso teve lá seus resultados positivos, com várias pessoas se convertendo – entre eles, Dionísio, membro da aristocracia local e integrante do prestigiado Areópago de Atenas. No entender de Jorge Pinheiro, mitologia e cristianismo seguem por caminhos bastantes díspares: “A cultura grega apresentou uma leitura mítica do destino, que traduzia a maneira de pensar e viver o helenismo – período da história grega compreendido entre os anos 323 e 30 a.C. Já a fé cristã embute a ideia de que o mundo é uma criação divina, a vitória da crença na perfeição do ser em todos seus aspectos sobre o medo trágico e a matéria que resiste ao divino”, aponta.
Mitos ou não, simbolismos e similaridades envolvendo mitologia e cristianismo é o que não falta. Um dos mais antigos enigmas da história da humanidade, a lenda do cálice sagrado – ou Santo Graal –, que algumas doutrinas apontam ter sido usado por Jesus na sua última ceia e no qual, supostamente, José de Arimatéia teria recolhido o sangue de Cristo, é um exemplo do que muitos classificam como mitologia cristã. Uma segunda versão da lenda defende que Maria Madalena teria sido a detentora do cálice – afinal, segundo a Bíblia, ela era a única mulher além de Maria presente no Calvário durante a crucificação. A lenda transcendeu os séculos subsequentes e, na Idade Média, a busca ao cálice sagrado se tornou uma obsessão para os cavaleiros medievais. Até o cinema rendeu-se à história, em produções como Indiana Jones e a Última Cruzada, terceiro filme da célebre série de aventura do herói Harrison Indiana Jones Ford, de Steven Spielberg, e O Código Da Vinci, adaptação do best seller de Dan Brown.
“O cálice sagrado é um exemplo típico de mitologia cristã, mas não é bíblico; deriva das doutrinas cátaras”, explica Maria de Fátima. “O Graal foi uma reinterpretação de um mito celta que se referia a um prato de poderes divinos que revestia a comida posta sobre ele.” Um dos principais pilares que sustentava a religião dos cátaros – povos que ocupavam o norte da península itálica no século 12 e que se opunham ao cristianismo – era a crença de que Jesus não era filho de Deus, mas um importante profeta.


Cavaleiros da cruz – Por sua vez, a Ordem dos Cavaleiros Templários, uma espécie de organização fundada no mesmo século 12, em Jerusalém, por cavaleiros franceses para proteger os reinos cristãos da invasão dos mouros, realmente existiu. Contudo, eles foram bastante mitificados ao longo do tempo. A ação perpetrada pelos templários marca o início das grandes expedições de caráter religioso e militar – historicamente chamadas de Cruzadas – para impedir o domínio das terras bíblicas pelos muçulmanos. No início do século 14, Felipe IV, então rei da França, ordenou a destruição da organização, fazendo com que os cavaleiros remanescentes se refugiassem em Portugal. Extinta, a Ordem dos Cavaleiros Templários cedeu lugar à Ordem de Cristo, tendo como seu principal fundador o papa João XXII. A experiência marítima adquirida pelos templários nas muitas peregrinações à Terra Santa colaborou para que os portugueses, a partir do século 15, aventurassem-se por mares nunca antes navegados, no processo de expansão que os levou ao Oriente e à América, culminando com a descoberta do Brasil.
Na tentativa de explicar as origens da mitologia por um viés bíblico, como exposto no livro de Bulfinch, os gregos foram muito além dos limites determinados entre a razão e a imaginação, e apontam vários personagens citados nas duas correntes – mítica e religiosa – como bases de sustentação para suas argumentações. Para eles, Deucalião nada mais é do que um segundo nome de Noé, o homem que, segundo o livro bíblico do Gênesis, salvou a humanidade e a vida animal do Dilúvio. A justificativa para a comparação é, aparentemente, simples: depois que Zeus – considerado o pai de todos os deuses na mitologia grega – resolveu acabar com a maldade da face da terra com uma enchente de proporções globais, Deucalião e sua mulher, Pirra, foram aconselhados a construir um barco que lhes garantisse a sobrevivência. E as coincidências se estendem a outros heróis: Hércules, por exemplo, seria identificado com Sansão; Árion, com o profeta Jonas. Já o dragão guardião da macieira dos pomos de ouro, cultivada no jardim das três deusas Hespérides, seria ninguém menos que a serpente maligna que enganou Eva.
Diante de tantas confrontações, há até quem ouse comparar Zeus com Deus, o criador do universo na concepção cristã. Afinal, dentro de cada uma das concepções, eles representam o Poder supremo. Não é o caso de Jorge Pinheiro, que contrapõe citando as torturas sofridas pelos judeus no livro apócrifo de Macabeus na década de 170 a.C., que preferiam a morte a fazer sacrifícios ao deus grego. “O que tem o Deus Eterno, criador dos céus e da terra, com o Zeus olímpico? Nada”, resume o pastor.


Mitos e temores – Se geograficamente a Grécia e a Itália são separadas apenas por algumas milhas do Mar Mediterrâneo, as relações históricas entre as duas nações é ainda mais estreita e vem desde a Antiguidade. Desde o século oitavo antes da Era Cristã, a cultura grega, e principalmente sua mitologia, exerce influência direta sobre a arte romana, com vários heróis reproduzidos com as mesmas características estéticas. De diferente, mesmo, apenas a nomenclatura, traduzidas do grego para o latim. A influência grega exercida sobre a arte romana chegou ao Renascimento – período compreendido entre os séculos 13 e 17, que marca a transição da Idade Média para a Idade Moderna. Até mesmo para representar a religião cristã os italianos foram buscar inspiração no classicismo grego, cuja primazia era representar seus personagens históricos e mitológicos completamente nus – daí a expressão tão comum nos dias de hoje, o nu artístico.
Rafael Sanzio, um dos principias artistas da época, e que traz a suavidade como principal característica em suas obras – como A Ressurreição de Cristo, pertencente ao acervo do Museu de Arte de São Paulo, o Masp –, e Michelangelo, o gênio que no século 16 cobriu de afrescos o teto da capela Sistina, no Vaticano, também recorreram a aspectos mitológicos em suas obras. O mestre florentino ainda legou à posteridade maravilhosas esculturas, como a representação “quase viva” do herói bíblico Davi e o colossal Moisés, que hoje encantam turistas na Itália. De tão perfeita, conta-se que, ao finalizar a obra, o próprio artista, em momento de êxtase, teria batido com o martelo no joelho da escultura e gritado: “Perché non parli?”.
Fundada nos anos 1940, a Coletividade Helênica de São Paulo é uma entidade filantrópica que trabalha no sentido de preservar e divulgar as tradições e a cultura helênica por meio de atividades sociais e assistenciais. Ex-presidente da associação, Stayros Kyriopoulos, cristão ortodoxo, afirma que são muitos os aspectos e manifestações do mundo contemporâneo que ainda remetem à cultura grega, principalmente à mitologia. “Na minha opinião, o teatro, por exemplo, é uma das atividades que mais contribuem para a preservação cultural dos mitos gregos”, diz. Já para a doutora Maria de Fátima, o maior legado deixado pela mitologia para a humanidade foi um impulso causado no pensamento filosófico. “Foi justamente para contestar a existência dos deuses mitológicos que os filófosos pré-socráticos se manifestaram, dando início aos movimentos filosóficos no Ocidente”, atesta a doutora. “Do ponto de vista cultural, a mitologia nos mostra o quanto o pensamento grego, antes do cristianismo, era cercado de temores”, completa.
Contudo, para os mais aficionados por mitologia e que procuram na arcaica cultura grega uma explicação lógica para compreender melhor alguns aspectos do mundo contemporâneo, o pastor Jorge Pinheiro deixa um alerta, ou melhor, um pensamento para reflexão: “O ser humano atravessou o mito em direção à razão e ao pensamento científico; portanto, não há porque voltar a ele”, conclui o teólogo.

Fonte: Revista Eclésia - Edição 134

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

ADEQUAÇÃO AO CALENDÁRIO EUROPEU: ATESTADO DE INCOMPETÊNCIA

Há tempos que se discute a adequação do calendário do futebol brasileiro ao europeu - cuja temporada começa no segundo semestre e termina em junho do ano subsequente -, como alternativas para que os clubes não corram o risco de perder seus principais jogadores durante a competição. A CBF se prontifica a encaminhar uma proposta em 30 dias e, se aprovada - claro, com a concordância das partes mais interessadas, que são os clubes - o novo calendário passará a vigorar em cerca de dois anos. Só um detalhe: a janela de transferência também é aberta no início de cada ano, embora por um período menor.

Se por um lado a medida beneficia os clubes, por outro atesta a incompetência dos dirigentes do futebol brasileiro e das próprias agremiações. Dos dirigentes por se renderem ao bel-prazer das equipes européias que, aliás, são indiferentes à mudança - para eles tanto faz ou tanto fez, em qualquer época basta abrir seus cofres e ir às compras -; dos clubes por não buscarem novas alternativas de receitas sem a necessidade de negociar jogadores para fazer caixa ou, muitas vezes, para dirimir as pressões dos investidores.

Patrocínio de camisas - considerando-se costas, barriga, mangas e, em contratos específicos, até debaixo do braço -; fornecedores de material esportivo, bilheterias, programa sócio-torcedor, direitos televisivos, lojas oficiais. Será que a receita gerada por tantas fontes diferentes não é suficiente, desde que bem administrada, para manter um clube, sem que necessariamente tenha que liquidar seus jogadores?

Talvez o maior empecilho para os times evitarem os eventuais desmanches - palavra que, ultimamente, tem causado calafrio em muitos torcedores - não seja propriamente a falta de verba ou o assédio dos europeus, mas a ganância dos empresários do futebol, responsáveis por não somente acabar com aquela gênese do "amor à camisa", como também por inserir cifras milionárias na mente dos atletas. E infelizmente, para esse mal ainda não inventaram - e tampouco inventarão - a cura.

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
jdmorbidelli@estadao.com.br

SAUDADES DA SÉRIE B?

Apenas dois pontos nos últimos cinco jogos disputados: derrota para o Palmeiras, empate com o Santo André e Avaí, e novos tropeços com Náutico e Flamengo. Apenas um gol marcado e seis sofridos. Hoje, a colocação do Timão na tabela, na 11ª colocação, é pior do que quando o time disputava duas competições simultaneamente – o próprio Brasileirão, com a equipe praticamente reserva, e a fase final da Copa do Brasil. Muito se fala em perda de jogadores, período de transição, acomodação, mas o que realmente está parecendo é que o Todo Poderoso está com saudades da Série B. É bom o Timão abrir os olhos; afinal, são apenas sete pontos que o separam da zona de degola.

No ano passado, o Corinthians era o centro das atenções – em algumas rodadas, a própria TV Globo ignorou jogos da Série A para mostrar o time do Parque São Jorge. Estádios lotados, cofres abarrotados, ambiente festivo, vitórias, vitórias, vitórias... E a caravana de Mano Menezes arrastava multidões pelo país afora. Não deu outra, o time se sagrou campeão com várias rodadas de antecedência e comemorou o retorno à elite do futebol nacional como quem ganha um torneio intercontinental.

As expectativas para esse ano eram as melhores possíveis, e se confirmaram no primeiro semestre – Campeão Paulista invicto, e brilhante conquista na Copa do Brasil – o Corinthians seguiu a receita de quem quer ser campeão, marcou gols em todos os jogos fora de casa e não sofreu nenhum no Pacaembu. Mas hoje, a menos de dois meses desde a conquista em pleno território colorado (Beira-Rio), o futebol do time é irreconhecível: indefinição na defesa, lentidão na saída de jogo, ineficiência no ataque – injusto é a torcida pegar no pé do jovem Bill, que acabou de chegar e, diga-se de passagem, não é nenhum fenômeno.

Muitas têm sido as críticas destinadas à diretoria pela venda de suas principais peças, mas o próprio Mano Menezes, insatisfeito com as perdas de André Santos, Cristian e Douglas, engrossa a voz que vem das arquibancadas. "Com aquele time era possível brigar pelo título; com esse, não é", afirmou em tom de desabafo após a derrota no Maracanã. Aliás, lindo, com 50 mil torcedores fazendo uma festa que só as duas maiores torcidas do Brasil podem proporcionar. Mas dessa vez apenas uma comemorou.

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
jdmorbidelli@estadao.com.br

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

TIMÃO: NOVAS APOSTAS E FUTEBOL GLOBALIZADO

Enquanto os "galáticos" – palavra proibida no Parque São Jorge – não chegam, o Corinthians segue apostando suas fichas em jogadores que vem se destacando por equipes de menor expressão. O nome da vez é do volante Ralf – o Barueri desmente a negociação, mas muitos já dão a transferência como certa. O problema é que o volante somente poderia ser utilizado a partir do ano que vem, uma vez que ele já vestiu a camisa do time da Grande São Paulo por mais de sete vezes no Brasileirão.

Quando André Santos, Chicão e Cristian foram contratados pelo Timão, também eram uma incógnita. Com o tempo, eles ganharam status de "estrelas" e foram preponderantes para as recentes conquistas do time. Jucilei tem tudo para seguir o mesmo caminho, e Ralf – bom jogador, tanto que seu nome é muito especulado entre os grandes do futebol brasileiro – viria como mais uma opção para o já concorrido meio-campo alvinegro. Uma agradável dor de cabeça para Mano Menezes.


E é esse mesmo setor que tem gerado as maiores especulações e ansiedade dos torcedores. Riquelme continua sendo o "sonho de verão" dos corinthianos e, embora o técnico Alfio Basile tenha afirmado em bom castelhano que "Riquelme le cierro la puerta y con candado", tudo indica que o sonho irá se concretizar; precavido com a eventual perda de seu principal jogador, o Boca Juniors já acertou o empréstimo de Ariel Rosada, cujo passe pertence ao Celta de Vigo (Espanha).


Riquelme seria o terceiro gringo do elenco, que já conta com o zagueiro-lateral Escudero, que se recupera de contusão; e do lateral-zagueiro Edgar Balbuena, recém-contratado junto ao Liberdad, do Paraguai. É a globalização do futebol no Timão, tudo pela conquista da América no ano de seu centenário.


José Donizetti Morbidelli
Jornalista
jdmorbidelli@estadao.com.br

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

ATÉ QUE PONTO VALE A PENA CONQUISTAR A COPA DO BRASIL?

A estreia foi no Pacaembu contra o Fortaleza pela Copa do Brasil do ano passado. Resultado: 2x0 para o Timão. Depois, já pela Série B, duas partidas fora de casa, contra o Brasilense e o Bahia. Resultados: 1x1 e 3x0, respectivamente. Agora, depois de exatos 291 dias o Corinthians voltou a usar sua polêmica e até então invicta camisa roxa contra o Náutico. Mas aquela noite de festa, com vitória fácil - afinal, do outro lado estava o lanterna da competição - e recuperação na tabela, sucumbiu diante de um adversário fraco e do péssimo estado do gramado dos Aflitos.


Pelo jeito, o técnico Mano Menezes vai ter muito trabalho para remontar o time, visivelmente enfraquecido pela perda de alguns jogadores e falta de entrosamento entre os substitutos. Perder três ou quatro peças, considerando os atletas negociados e a contusão de Ronaldo, pode não parecer muita coisa, mas no caso específico do Corinthians a diferença é visível, diria até grotesca! Chicão e William dando chutões; Elias perdido e carente de seu antigo companheiro de meio-campo - ele até fez uma bela jogada que quase resultou em gol, mas é muito pouco -; um setor esquerdo, antes considerado um dos pontos fortes da equipe, totalmente inexistente; Dentinho cobrando escanteio; e ainda Bill sem entrosamento e um Souza pra lá de azarado. De positivo mesmo, apenas a boa estreia de Edu, com seus passes precisos, e a regularidade do volante Jucilei - esse sim uma bela contratação.


Se antes o futebol do Timão encantava - e ainda pode voltar a encantar - , atualmente o que se tem visto é um time mais para coadjuvante intermediário do que para favorito ao título. De quem é a culpa? Diretoria, jogadores, comissão técnica, gringos, gramado? Acho que o principal culpado é a Copa do Brasil, uma competição deliciosa de se ver e que caiu no gosto do povo, mas que também tem lá seu lado negativo. Até que ponto vale a pena conquistar a Copa do Brasil? Se for apenas para assegurar vaga para a Libertadores, valorizar e negociar jogadores, e deixar de lado o Brasileirão - que é o principal campeonato de clubes do país - achando que o objetivo do ano já foi conquistado, então eu digo com todas as letras: "Não vale a pena!".


José Donizetti Morbidelli
Jornalista
jdmorbidelli@estadao.com.br

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

APRENDENDO COM O VERDÃO

"Para sair do Palmeiras agora, só por cima do meu cadáver", foram as palavras do presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, diante do imbróglo envolvendo as eventuais saídas de seus principais jogadores - Cleiton Xavier, Diego Souza e Pierre.

É claro que, por trás dessa declaração, tem o dedo do recém-contratado Muricy Ramalho. Além de carregar o status de um dos mais vitoriosos treinadores do país, ele não teria aceito dirigir o Palestra sem garantias efetivas da diretoria e dos investidores de manter o elenco, pelo menos até o final do ano.

E pelo jeito, a parceira Traffic parece ter aprendido como gerenciar futebol e está disposta a esperar por um momento mais oportuno para recuperar os investimentos - em caso de título, o lucro será muito maior. O caso mais complicado, no entanto, é do volante Pierre que, aos 28 anos, pode estar perdendo sua última oportunidade de se transferir para o exterior e conquistar aquilo que os jogadores chamam de "independência financeira" - como se aqui eles ganhassem salário mínimo . Em contra-partida, seria um absurdo negociá-lo pela ninharia que tem sido oferecida. Mas se é pelo bem da nação alviverde, Pierre diz que quer ficar.

Se as vendas recentes de André Santos, Cristian e Douglas atingiram o Corinthians como uma tempestade, pelo jeito no Parque Antártica o efeito parece não ser nada mais do que uma simples marolinha.

Agora, uma coisa que não entendo: Por que é tão difícil para o Timão segurar seus atletas, e o rival consegue essa proeza sem tanto esforço, bastando meia dúzia de palavras para convencer seus investidores? Será que os dirigentes alviverdes são mais competentes que os alvinegros? Talvez o que esteja faltando é o tão antigo, mas ainda impressindível, "bom diálogo".

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
jdmorbidelli@estadao.com.br