sexta-feira, 9 de outubro de 2009

AS DUAS FACES DE UM TIME

Esses dias eu assisti novamente ao filme As Duas Faces de m Crime (Primal Fear), um suspense estrelado por Richard Gere e Edward Norton – aliás, sua estreia no cinema e que já lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Bem, a questão é que o título em português do longa-metragem me fez lembrar do que está acontecendo com o Corinthians nesse ano.

No primeiro semestre o time de Mano Menezes tinha uma face: competitiva, aguerrida, motivada. Mas foi só conquistar a Copa do Brasil e garantir a vaga para a Libertadores que a equipe, assim como no filme do diretor texano Gregory Hoblit, mudou completamente de face. No Brasileirão, o Timão tem se mostrado desmotivado, sem garra, só esperando que a temporada acabe – como se o dever já estivesse mais que cumprido.

Ficção é ficção, mas futebol é realidade. Não dá para aceitar dois comportamentos tão distintos – mesmo com desculpas do tipo "janela de transferências" ou "reformulação do elenco". Um time da grandeza do Corinthians deve entrar em campo sempre com o espírito vencedor; se não dá mais para chegar ao título, a voz que vem das arquibancadas deve reger a motivação dos jogadores.

Essa apatia em campo é um desrespeito para com aqueles torcedores que muitas vezes gastam o que não têm para pagar a mensalidade do programa Fiel Torcedor, que enfrentam fila quilométricas para comprar ingressos, ou seja, que acompanham o time diante de qualquer circunstância. O Corinthians precisa urgentemente de uma boa sacudida, para voltar a ter uma única face.


José Donizetti Morbidelli

Jornalista

jdmorbidelli@estadao.com.br

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A VOLTA DO FUTEBOL BUROCRÁTICO

Quem assistiu ao empate entre Fluminense e Corinthians, no Maracanã, pôde constatar uma característica que, desde a época de Carlos Alberto Parreira, não se via no Timão: um futebol de toques rápidos, cauteloso, enervante para a torcida adversária, enfim, extremamente burocrático.

Mas as comparações com o time de 2002 – ganhador da Copa do Brasil e do Torneio Rio-São Paulo, além de vice-campeão Brasileiro – param por aí. Naturalmente, os estilos de Parreira e Mano Menezes são bem diferentes; enquanto o treinador gaúcho priva pela marcação forte e saída rápida para o ataque, o outro valoriza a posse de bola, a paciência, só esperando o momento certo para agredir – no bom sentido – o adversário.

Não é hora de implantar novas filosofias – quem gosta disso é o Luxemburgo. O Mano é o Mano, e o Parreira é o Parreira. Futebol burocrático não combina com o "jeitão" do gaúcho, assim como futebol de correria não combina com a diplomacia do outro.

Guardadas as devidas proporções – o time de 2002 era bem melhor do que o remendado de agora –, as semelhanças se restringiram a apenas um jogo, citado acima. Portanto, a volta do futebol burocrático deve ser desconsiderada. Pelo menos, por enquanto.

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
jdmorbidelli@estadao.com.br

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

MÁ CAMPANHA DO BOCA JUNIORS É COMEMORAÇÃO PARA O TIMÃO

Você já parou para imaginar uma Copa Libertadores sem o Boca Juniors, o maior carrasco dos brasileiros? Tudo indica que isso está prestes a acontecer; atualmente o time se encontra na 11ª colocação do torneio Apertura e somente o título o credencia para disputar a competição sulamericana – quanto à somatória dos pontos nos campeonatos que abrem e encerram a temporada argentina, e que garantem mais três vagas, a equipe de La Bombonera já pode jogar a tolha.

Aliás, jogar a toalha é o que o Corinthians fez no Brasileirão. Mesmo que ganhe todos os jogos que restam, o time de Mano Menezes chegaria a apenas 71 pontos, pontuação que, segundo os matemáticos de plantão, não é suficiente para assegurar o título.


O que fazer então? Almejar uma colocação honrosa no campeonato – quem sabe entre os quatro primeiros – e ficar ligado nos resultados do futebol argentino. Afinal, o insucesso do Boca Juniors pode, e deve, trazer o meia Riquelme para o Parque São Jorge.


Enquanto isso, seu conterrâneo Defederico vai esquentando a camisa 10. Jogar bola ele já mostrou que sabe; agora só falta provar que o talento é suficiente para fazer frente ao Topo Gigio – um dos apelidos do craque Riquelme.

José Donizetti Morbidelli
Jornalista

terça-feira, 6 de outubro de 2009

JÚLIO CÉSAR OU ROBERTO CARLOS?

Um joga no futebol brasileiro, o outro no futebol turco; um tem 27 anos de idade; o outro tem 36; um tem feito uma bela campanha pelo Goiás; o outro está louco para deixar o Fenerbahçe; um recebe salário compatível com a realidade do futebol brasileiro, o outro ganha em euros... só que o outro é campeão mundial pela Seleção Brasileira! Afinal, quem deve ser o lateral do Corinthians na temporada 2010? Júlio César ou Roberto Carlos.

É sabido que muitas estrelas formam uma constelação, mas nunca um time de futebol. Algumas experiências do passado comprovam essa tese. Para um time que já tem Ronaldo e, quem sabe, terá Riquelme ou Ronaldinho Gaúcho, é extremamente perigoso uma contratação de mais um ex-selecionável. E outra: seria muito "r" para um time só!

Por todos os aspectos, principalmente financeiros, a contratação de Júlio César parece ser mesmo a mais viável, e provavelmente a que deverá se concretizar. O que pode atrapalhar a negociação é uma eventual classificação do Goiás para a Libertadores ou o aproveitamento do jogador pelo clube que detém seus direitos: o Cruzeiro.

Já que o Timão não tem mais chances de chegar ao título, é hora de começarem as especulações. E a posição que mais causa dor de cabeça no treinador é a "bendita" lateral-esquerda. Seja o bom Júlio César ou o experiente Roberto Carlos, a única certeza é que ambos terão um árdua missão; afinal, por quase dois anos, a torcida gritou a plenos pulmões o nome de André Santos.

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
jdmorbidelli@estadao.com.br

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

CABEÇAS PODEM ROLAR NO TIMÃO

Como todo o respeito ao Furacão, mas ser derrotado em pleno Pacaembu é inadmissível. Estádio lotado, torcida esperançosa, elenco motivado para ainda brigar pelo título – uma tarefa quase impossível, diga-se de passagem –, e o que se viu foi um visitante perfeito taticamente, explorando muito bem os contra-ataques e uma defesa – formada por Paulo André e o jovem Renato – batendo cabeça.

Aliás, uma pergunta: por que na Copa do Brasil não havia tantos problemas de contusão? Chicão e William, que formaram a melhor dupla de zagueiros do país – pelo menos no primeiro semestre – praticamente não jogaram juntos. Nada pessoal, mas Marcinho não tem condições de atuar como lateral no Corinthians, e Marcelo Mattos ainda não se encontrou. Substituir Cristian, que em pouco tempo conquistou a exigente fiel, não é nada fácil, e talvez essa responsabilidade esteja pensando demais para o recém-contratado. Quanto ao Edno, melhor dar mais um tempo ou testá-lo como atacante.

A partir de agora, já que não há mais possibilidades de brigar pelo título, resta ao time de Parque São Jorge honrar a camisa e chegar entre o pelotão da frente. E resta a Mano Menezes remontar o time visando a temporada 2010. Muito trabalho pela frente; caso contrário muitas cabeças podem rolar – até a do próprio treinador.


José Donizetti Morbidelli
Jornalista
jdmorbidelli@estadao.com.br

domingo, 4 de outubro de 2009

EXCESSO DE JOGADORES PARA O MESMO SETOR PODE ATRABALHAR

Depois da perda de alguns jogadores no meio do ano, o Corinthians ainda passa por uma reestruturação em busca do time ideal para o temporada 2010. Alguns setores, não entanto, já dão mostras de “inchaço” do elenco, principalmente o meio de campo. Marcelo Mattos, Elias, Jucilei, Edu, Marcelo Oliveira – se bem que esse tem jogado mais como lateral –, Moradei, Boquita, Morais, enfim, tantas opções para apenas duas posições. Mano não esconde que Elias é peça fundamental, e que Marcelo Mattos foi contratado para substituir o volante Cristian – o que fazer então com os outros?

É claro que um time que almeja títulos importante tem que dispor de um elenco forte. O duro é administrar a situação, sem que haja racha no grupo; afinal, a vaidade sempre fez e sempre fará parte do futebol. Todo mundo quer jogar.

Na defesa, o problema é um pouco mais simples: Chicão, William e o bom Paulo André disputam duas posições, sendo que o último já se mostrou satisfeito com sua posição de reserva. Esse é o exemplo que deve ser seguido por todos que aguardam uma oportunidade.

O que o treinador não pode fazer é optar pelo rodízio de jogadores, atitude que leva do nada a lugar algum: o time perde entrosamento e não ganha ritmo. Enquanto o tão sonhado craque não chega – Riquelme, Ronaldinho ou Zé Roberto – e a vaga lateral esquerda não é suprida, na minha opinião a equipe titular do Corinthians deve ser: Felipe, Alessandro, Chicão, William e Marcelo Oliveira; Marcelo Mattos, Elias e Defederico; Jorge Henrique, Ronaldo e Dentinho. Anote aí, Sr. Mano Menezes.

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
jdmorbidelli@estadao.com.br

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

QUEM QUER O MINICRAQUE DO SOUZA?

Maior investimento do Corinthians no ano, o atacante Ronaldo acaba de ganhar sua versão e miniatura – um protótipo bem mais magro e mais cabeçudo do que o original, mas com o mesmo sorriso e gesto que caracterizam suas comemorações. Sucesso dentro de fora de campo, a imagem do Fenômeno continua rendendo divisas para o Timão, que promete estender a homenagem a outros jogadores do elenco.

E quando será lançado o minicraque do Souza? Por mais que as ideias de marketing fluam na cabeça de Luis Paulo Rosemberg, difícil mesmo é criar uma estratégia que traga retorno ao investimento no atacante Souza, principal alvo da torcida por sua abstinência de gols. Façamos as contas: levando em consideração o preço unitário de R$ 79,90 por cada minicraque, o salário de Souza – cerca de R$ 170 mil mensais – equivale a 2128 unidades. Se não dá para vender tudo isso, então é melhor que ele comece logo a balançar as redes.

Brincadeiras à parte, o departamento de marketing do Corinthians está dando provas de que realmente sabe trabalhar: maior patrocínio de camisas de país, número de sócios-torcedores ultrapassando a casa dos 50 mil, camisas de todos os tipos e para todos os gostos, enfim... Finalmente o futebol tem sido tratado com empresa gestora de negócios e que visa, além de conquistas, lucros.

Apenas uma ressalva: assim como esses bonecos irão criar vínculos com seus compradores, é bom que os jogadores também criem longos vínculos com o clube. De nada adianta o Corinthians lançar o minicraque do Dentinho, por exemplo, e após alguns meses negociar o atleta com o futebol europeu. Não duvido nem um pouco que muitos torcedores também vão querer se desfazer de seus valiosos brinquedinhos.

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
jdmorbidelli@estadao.com.br