sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

TIETAGEM URUGUAIA

Além de endurecerem o jogo para o Corinthians, os jogadores do Racing -debutante na mais importante competição de clubes do continente sul-americano - tiveram uma verdadeira noite de êxtase e tietagem diante do Corinthians no Pacaembu. Antes mesmo da partida, boquiabertos, os uruguaios subiram ao gramado para registrar cada detalhe com suas câmeras digitais e celulares. No final do jogo, disputaram a tapas algumas camisas alvinegras, com o mesmo afinco e determinação que tiveram dentro de campo. Durante as coletivas, poucas palavras foram suficientes para Jorge Contreras definir seu sentimento. "Joguei muitos jogos importantes contra o Peñarol e o Nacional, mas isso foi o máximo e nunca se apagará da minha mente", orgulhou-se o goleiro.

Apesar de conhecer suas limitações, os uruguaios sonhavam em surpreender o anfitrião, tanto que um representante - quebrando o galho do assessor de imprensa que, por economia, não veio a São Paulo - distribuiu aos jornalistas a escalação do time, com uma observação: "A maior infra-estrutura e organização sempre influem em campo, mas o mais bonito desse esporte é que não é tudo tão lógico, e às vezes uma equipe muito humilde pode surpreender". E quase que as palavras, escritas em tom profético, chegaram a se transformar em verdades.

Para o Timão um jogo importante mas comum ,e cuja vitória era mais do que obrigação; para o modesto Racing uma noite memorável, para ficar registrada com letras douradas na história do clube. Em 24/02/2010 fomos a São Paulo enfrentar o Todo Poderoso Corinthians, saímos na frente logo no início do jogo e deixamos o campo dignamente, sem tomar uma goleada. Um novo encontro já está marcado, e será em Montevidéo no mês de abril. Até lá, talvez a ficha já tenha caído.

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
jdmorbidelli@estadao.com.br
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

E AS PICUINHAS ENTRE CORINTHIANS E SÃO PAULO CONTINUAM

Faz tempo que Corinthians e São Paulo não falam a mesma língua, principalmente após aquele imbróglio envolvendo divisão de torcidas no Campeonato Paulista deste ano. Na ocasião, o São Paulo se recusou a dividir o Morumbi com a torcida alvinegra - como historicamente acontecia. Em contrapartida, agora, nos mandos de jogos do Timão no Pacaembu, a torcida adversária é obrigada a ficar espremida num cantinho do estádio.

Agora a rivalidade chega também ao departamento financeiro dos clubes. Enquanto que o Corinthians ainda comemora o maior patrocínio da história de um clube do futebol brasileiro, o São Paulo promete anunciar o novo parceiro no mês de março - e com números também estratosféricos. E haja críticas e farpas disparadas para todos os lados!

Nunca se sabe, mas talvez um dia os rivais paulistas deixem de lado as picuinhas extra-campo e cheguem a um acordo de cavalheiros. É claro que a diretoria são-paulina quer que o Timão volte a jogar no Morumbi, mas o Alvinegro parece irredutível e mais do que satisfeito com as rendas obtidas no bom e velho Pacaembu. Agora, imagine a seguinte situação: Corinthians x São Paulo, com mando de campo do Corinthians, sendo realizado no Morumbi. Como manda a lei, aos tricolores seriam destinados somente 10% dos ingressos, ou seja, um gomo das arquibancadas. Seria muito engraçado - para não dizer ultrajante -, e certamente outro motivo para recomeçarem as brigas!

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

COM ELENCO EXPERIENTE, TIMÃO INICIA SUA EPOPÉIA

É certo que o Corinthians jamais conquistou a Libertadores - a melhor colocação foi a semifinal de 2000, quando parou nas mãos do arqueiro Marcos -, mas o que não se pode dizer é que falta experiência ao grupo que disputa a edição desse ano. Dos 25 jogadores inscritos, nada menos do que 13 já tiveram a oportunidade de participar da competição sul-americana; uns nem jogaram, mas outros chegaram até a ser campeões - como o meia Danilo e o atacante Iarley - esse último, em duas oportunidades.

No comando da nau corinthiana, um treinador astuto e também experiente em competições do tipo mata-mata. Basta lembrar que ele já levou, em 2004, o modesto XV de Novembro de Campo Bom às semifinais da Copa do Brasil; o próprio Corinthians por duas vezes seguidas às finais, conquistando o título em 2009; e o Grêmio às finais da Libertadores, em 2007.

Nessa quarta-feira, começa uma nova era na história do Corinthians, que poderá terminar em samba ou, novamente, em choro. Não que a Libertadores seja mais importante do que um Brasileirão ou um Mundial de Clubes, títulos já conquistados pelo Timão, mas é o troféu que falta na galeria do Parque São Jorge. E é em busca dessa jóia tão rara e cobiçada que se inicia, nessa semana, a epopéia alvinegra.

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

FIM DO VESTIBULAR DE MANO MENEZES

Trinta e dois candidatos para 25 vagas; "Moleza", diria qualquer estudante prestes a ingressar na universidade. Mas, no vestibular do técnico Mano Menezes, a situação não é assim tão simples como possa parecer. Apresentar uma lista para a primeira fase da competição mais importante do ano - aquela que todo jogador gostaria de participar -, justificando a escolha a cada um dos preteridos tomando o devido cuidado para não desmotivá-los, não parece nada fácil, muito menos agradável de se fazer.

Pelo jeito não o castelhano não pesou na decisão do treinador, visto que os laterais reservas Balbuena e Escudero - para muitos, nomes certos na lista - foram superados pelo recém-contratado Moacir e pelo jovem Dodô. Provavelmente os gringos devem ser os mais decepcionados do elenco; afinal, estão vendo a possibilidade de jogar em seus países de origem indo por água abaixo.

No restante, não houve muitas surpresas. Bill já havia sido emprestado ao Coritiba, e Edno, está com um pé no Botafogo. Na disputa pelas camisas, o contemplado com a 10 acabou sendo mesmo o meia Danilo. Justo! Agora que a ansiedade de todos - jogadores, torcedores, imprensa - chegou ao fim, o negócio é se dedicar de corpo e alma ao torneio que, para o Timão, começa essa semana. O Racing, que se cuide...

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A VOLTA DA DEFESA MENOS VAZADA

Somente depois de serem disputadas dez rodadas é que o Corinthians voltou a ter a melhor defesa do Campeonato Paulista e, se seguir o exemplo do ano passado, os comandados de Mano Menezes têm tudo para fazer prevalecer essa condição. Até então, o Botafogo tinha tomado somente cinco gols; com a derrota para o Bragantino, em Bragança Paulista, agora o time de Ribeirão Preto também chegou aos sete gols sofridos na competição. E, por falar em Braga, atenção ao lateral-direito Diego Macedo; tem muito time grande dando sopa por aí...

Mas se a defesa alvinegra está bem postada e dá segurança à equipe, o mesmo não se pode dizer do ataque - pelo menos por enquanto. O Timão marcou apenas 16 gols na competição, uma média muito aquém de um ataque com tantos jogadores renomados. Aliás, nunca a lista dos goleadores esteve tão democrática: 11 jogadores já balançaram as redes adversárias, e Jorge Henrique, que entrou em campo apenas cinco vezes, é o artilheiro da equipe com três gols.

Contra o Racing, pela estreia da Libertadores, o Corinthians, praticamente com sua melhor formação, tem tudo para aumentar a média da temporada. E o Fenômeno, que até agora assinalou apenas um, parece estar novamente com fome de bola, além da boa e velha carequinha que já fez tantos zagueiros tremerem mundo afora.

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O FUTEBOL ESTÁ SE TORNANDO UM ESPORTE DE ELITE

Que o preço dos ingressos para os jogos do Corinthians na Libertadores deveriam ser majorados, isso não resta a menor dúvida. Agora, cobrar R$ 200 para cadeira laranja, R$ 300 para numerada descoberta e R$ 500,00 para a área vip chega a ser um disparate. Pois é, e pode ir preparando o bolso, torcedor; pois, caso o Timão avance até a fase final, serão sete jogos em casa. Alguém duvida que muitos irão desembolsar R$ 3500,00 para acompanhar o time, degustando lanchinho, refrigerante ou sei lá o quê?

A torcida corinthiana é imensa, composta por ricos e pobres. Por isso, independente dos valores cobrados, certamente o Pacaembu estará lotado e ensurdecedor em todas as partidas. Até a capacidade do estádio foi ampliada para 40199 lugares - por que não 42 mil?

Só a título comparativo, um amigo de Belo Horizonte, torcedor do Galo, comentou comigo que o ingresso para o setor geral do Mineirão custa R$ 2 - isso mesmo, dois reais! -, e estudante, como ele, ainda paga meia entrada. Diante dessa discrepância de valores, parece que o futebol - pelo menos em São Paulo - está se tornando cada vez mais um esporte de elite. Bom para os clubes, ruim para o torcedor mais humilde, que não tem Pay Per View e High Definition, e que só consegue acompanhar os jogos transmitidos pela TV aberta. Para finalizar, se em campo o time corresponder e ganhar a Libertadores, ninguém irá reclamar dos preços. O problema é se o Coringão não ganhar!

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

NINGUÉM ADMINISTRA EGO TÃO BEM QUANTO MANO MENEZES

A maior dificuldade para um treinador que comanda um time de tantas variáveis, cujo elenco possui desde estrelas campeãs mundiais até novatos saídos do terrão do Parque São Jorge, é saber administrar egos, lidar com as diferenças, motivar a todos. Também, nesse quesito, Mano Menezes tem tido a postura de um verdadeiro entendido do assunto.

Primeiro, questionava-se quem seria o dono da camisa 10 do Timão; sem fazer uso das palavras, sabiamente o treinador parece dizer: "Por enquanto, a 10 não é de ninguém". Para se ter uma ideia, só nesse início de temporada, foram muitos os que já a usaram: Iarley, Tcheco, Danilo, Dentinho, Defederico, Morais... Enfim, todo mundo satisfeito e, independente de quem a use na Libertadores, o assunto foi esquecido.

Quanto à tão aguardada lista dos inscritos para a competição sul-americana, a disputa continua acirrada. Balbuena, Boquita, Dodô, Edno, Moacir e Morais devem brigar pelas vagas que ainda restam. A depender do jogo contra o Mogi Mirim, os dois últimos têm grandes chances de vencer a concorrência. Enquanto o torcedor aguarda ansiosamente, o treinador faz mistérios e parece não se preocupar nem um pouco com as reações dos preteridos - definidamente, ele tem o grupo nas mãos.

Aliás, contra o Sapão, o Alvinegro - embora ainda atuando com uma equipe mista - fez seu melhor jogo no campeonato. Destaque para o centroavante Souza, que desencantou com dois gols com marca de artilheiro. Se antes o atacante carecia urgentemente de um estímulo, agora não precisa mais. É só continuar balançando as redes adversárias.

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
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