segunda-feira, 31 de maio de 2010

PESCARIA COM CHORORÔ

Boys Don´t Cry - ou, numa tradução literal, Garotos não Choram - diz a música da banda inglesa The Cure. Entretanto, não foi esse o lema dos meninos da Vila na derrota do clássico para o Corinthians, disputado no Pacaembu. Aliás, parece que o chororô virou mesmo moda pelos campos de futebol país afora; e se antes os santistas estavam acostumados a sorrir e ditar o ritmo das arquibancadas com as irreverentes dancinhas, dessa vez o time dançou de verdade diante de um adversário forte na defesa, consistente no meio de campo e eficiente no ataque.

Pescaria completa, com bela atuação do recém-contratado Bruno César e de Ralf, o nome do jogo. Além de anular Paulo Henrique Ganso, o volante ainda se aventurou pelo ataque e, numa bela jogada, deixou sua marca. Quanto ao gol anulado do Peixe, impossível crucificar o bandeirinha Ednilson Corona, mesmo porque o tira-teima da TV Globo revelou que o jogador Marquinhos estava 43 centímetros à frente do último defensor; portanto, em condição de impedimento. Agora, reclamar de falta de Elias no zagueiro Edu Dracena, sem comentários! Noventa por cento dos gols teriam que ser anulados, então.

Com a vitória, mais do que os três pontos que lhe garantem uma folga na liderança do Brasileirão, Mano Menezes parece ter encontrado uma excelente alternativa tática, com Bruno César e Danilo no meio e dois atacantes abertos pelas pontas - Jorge Henrique e Dentinho. Mesmo sem um homem de referência, ele não perde poder de fogo, já que os armadores sempre chegam em condições de finalizar. Foi assim que o novo xodó da torcida balançou as redes pela segunda vez com a camisa do Timão.

José Donizetti Morbidelli
Jornalista
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sexta-feira, 28 de maio de 2010

ROSEMBERG EM BUENOS AIRES: AULA DE MARKETING OU PARA NEGOCIAR DEFEDERICO?

O River Plate, um dos mais tradicionais e populares clubes da Argentina, não tem em seu elenco jogadores com a estirpe internacional de Ronaldo e Roberto Carlos - os garotos-propaganda do sucesso mercadológico corinthiano -, mas mesmo assim está disposto a aprender com um profissional da área como gerir bons negócios explorando o “poder da marca” ou a “marca do poder”. É com o propósito, também, de ensinar que o diretor de marketing do Timão, Luiz Paulo Rosemberg, tomou o avião rumo a Buenos Aires para participar de uma reunião com os dirigentes do time portenho, entre eles o presidente Daniel Passarella. Digo “também” porque certamente será colocada em pauta a situação do meia Matías Defederico, insatisfeito com a reserva e que tem declarado, abertamente à imprensa, seu desejo de ser negociado com o futebol de seu país.

Boa praça, Defederico não é daqueles hermanos encrenqueiros, marrentos e constantemente caçados pelos adversários brasileiros - quem não se lembra o quanto apanhava o atacante Tévez? Se por um lado é absolutamente compreensível essa insatisfação, por outro o gringo ainda não apresentou um futebol tão convincente a ponto de assegurar sua titularidade, ou até mesmo justificar o investimento. E sem essa de falta de ritmo de jogo; afinal, os caras treinam para quê?

Entretanto, ele tem razão em alguns aspectos, e um deles está diretamente relacionado ao departamento de marketing. Onde está o minicraque que a diretoria corinthiana prometeu assim que o negócio com o Huracán foi fechado? Se não saiu até agora, certamente não sairá; ou melhor, pode até ser lançado, mas com uma camisa vermelha e branca em vez de alvinegra.

José Donizetti Morbidelli
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quinta-feira, 27 de maio de 2010

BRUNO CÉSAR: ESTREIA COM GOL E ÓTIMAS PERSPECTIVAS PARA O FUTURO

Ainda é cedo para dizer, mas talvez Mano Menezes tenha encontrado no recém-contratado Bruno César o jogador que possa fazer a bola chegar com qualidade aos atacantes. Aliás, desde a saída de Douglas, em meados do ano passado, que ninguém mais conseguiu no Timão conseguiu exercer essa função – e muitas foram as tentativas: Boquita, Moraes, Defederico, Danilo, enfim...

E logo na estreia, o meia demonstrou que tem estrela. Mal tinha entrado em campo e, numa cobrança de falta, a bola resvalou na defesa prudentina e determinou o empate a manutenção da invencibilidade do Corinthians no Brasileirão. Nada mais justo do que presentear o estreante com a autoria do gol; na verdade, o autor-moral - ou “imoral”, por ser contra o próprio patrimônio - foi o zagueiro Dênis. “Fiquei muito feliz, acho que a minha estreia foi a melhor possível”, comentou o corinthiano, cuja fisionomia não lembra ainda mais um recente ídolo da torcida por não ter uma enorme cicatriz no pescoço.

No clássico contra o Santos, é muito provável que Bruno César seja escalado desde o começo. Resta apenas saber se o treinador irá manter o esquema com três atacantes ou reforçar ainda mais o meio com a eventual volta de Danilo. É bom pensar direitinho, pois contra os pirralhos - no sentido carinhoso - da Vila Belmiro, qualquer erro pode ser fatal.

José Donizetti Morbidelli
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quarta-feira, 26 de maio de 2010

CBF E CORINTHIANS PODEM PASSAR UMA RASTEIRA NO TRICOLOR

Segundo declarações de Ricardo Teixeira, o Morumbi está descartado da Copa do Mundo de 2014; em contrapartida, o presidente da CBF afirmou que a cidade de São Paulo - maior centro econômico do país - não deixará de fazer a abertura da competição. Para isso, ele exige que a Prefeitura dê andamento ao projeto de construir uma nova arena em Pirituba, obra que faria parte do complexo do maior centro de exposições da América Latina. Por sua vez, o prefeito Gilberto Cassab parece estar em cima do muro, horas esperando que o São Paulo apresente as garantia financeiras exigidas pela Fifa para adequação do Morumbi, e horas preocupado com o risco eminente da maior cidade do país perder a festa de abertura – nos bastidores, Belo Horizonte tem trabalhado para tirar esse privilégio da capital paulista.

Correndo por fora, o Corinthians tem uma série de projetos para analisar, todos visando à construção de seu estádio. Nessa semana, inclusive, houve uma reunião do Conselho Deliberativo do clube para avaliar uma das propostas, apresentada pelo banco português Banif com a garantia de execução da obra por parte da construtora alemã Hochtief.

Diante de todo esse imbróglio, não me admira se a CBF e o Corinthians se unirem diante de um propósito comum: a entidade quer porque quer uma arena novinha em folha para fazer média com a Fifa; o Timão quer porque quer um estádio para alegrar a torcida; e a cidade precisa porque precisa sediar a abertura da Copa. Vale lembrar também que, politicamente, a cada dia o presidente Andrés Sanchez tem se fortalecido junto à CBF. Ainda mais agora que ele será o chefe de delegação da Seleção Brasileira na África do Sul, não faltarão oportunidades para discutir o assunto e arquitetar planos com o chefão Ricardo Teixeira. E se realmente tudo isso se confirmar, o que será do Morumbi?

José Donizetti Morbidelli
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terça-feira, 25 de maio de 2010

HOMOFOBIA NO PARQUE SÃO JORGE?

Como em qualquer outro segmento social, é claro que também existem gays em qualquer atividade esportiva: na natação, no vôlei, no atletismo, no basquete, enfim. Até mesmo no Ultimate Fighting ou nas academias de musculação, basta olhar para muitos daqueles bombadões para perceber que por trás dos músculos cultuados esconde mesmo a esperança de que, um dia, eles possam sair do armário. No futebol, embora o homossexualismo ainda seja tratado como um grande tabu, não é nem um pouco diferente. Quem não se lembra da recente imagem dos jogadores Zlatan Ibrahimovic e Gerar Piqué, do Barcelona, flagrados por uma câmera nada indiscreta trocando carícias num estacionamento? Gays ou não, a imagem que correu o mundo é pra lá de comprometedora.

Que o homossexualismo no futebol é um fato, não há dúvidas, assim como igualmente verídico é o preconceito que persiste em fazer parte da mente de muitas pessoas. Provavelmente o presidente do Corinthians Andrés Sanchez não seja homofóbico, mas, durante entrevista à Folha de S. Paulo, ele disparou, em defesa dos jogadores mulherengos: “Qual é o problema de ter mulher? Ainda bem. Já pensou se tivesse homem? Eu prefiro jogador que, se for solteiro, tenha dez mulheres do que um homem”.

Exatamente num momento em que tramita no Senado Federal a chamada Lei da Homofobia que, se aprovada, tratará como crime qualquer ato de discriminação contra os homossexuais, o mandatário corinthiano - que, inclusive, será o chefe de delegação da Seleção Brasileira na África do Sul - poderia ter medido melhor as palavras, mesmo que não tenha tido a intenção de discriminar alguém.

José Donizetti Morbidelli
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segunda-feira, 24 de maio de 2010

PROJETO SÉRIO DE ESTÁDIO NAS MÃOS DOS CONSELHEIROS DO CORINTHIANS

Até 1º de setembro - dia em que o Corinthians completa 100 anos - a diretoria pretende, finalmente, levar a público o projeto definitivo para a construção da arena corinthiana. Assim como a Libertadores, ao longo dos anos assuntos relacionados a estádio têm sido motivo de piada, principalmente por parte dos torcedores adversários; contudo, dessa vez parece que é mesmo pra valer. Enquanto escrevo esse artigo, o Conselho Deliberativo do Corinthians deve estar se reunindo com representantes de um grupo de empresas, lideradas pelo banco português Banif, e que conta com a experiência da Hochtief, construtora de origem alemã que traz em seu portfólio obras como os aeroportos de Dusseldorf e Hamburgo, além das arenas do Kaiserslautern e Dortmund. Segundo consta, o terreno já teria sido comprado e averbado em cartórios de São Paulo e Guarulhos, além dos investidores terem também protocolado o projeto na Prefeitura para a realização dos trâmites burocráticos de aprovação.

De acordo com o projeto, o estádio, localizado a apenas dois quilômetros do Parque São Jorge, terá capacidade para cerca de 56 mil torcedores e poderá até - pelo menos na visão dos corinthianos mais otimistas - servir de opção para receber jogos da Copa do Mundo de 2014. Embora essa proposta seja a mais viável até agora, a diretoria também não descarta outras alternativas, como a ampliação da Fazendinha - talvez não nos moldes do Vicente Calderon, como sugeri anteriormente - ou até o levantamento da obra no terreno de Itaquera, onde funciona o CT das categorias de base do clube. Por trás desse projeto, estariam a construtora Odebrecht e o Grupo Advento. Já, a proposta da Gafisa que previa a construção de uma arena onde hoje se localiza o Playcenter, na Barra Funda, está praticamente descartado.

Enquanto isso, dentro de campo, com a vitória sobre o Fluminense no Pacaembu, o Corinthians continua como 100% de aproveitamento no Brasileirão. Totalização máxima, mas com futebol ainda não muito convincente.

José Donizetti Morbidelli
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sexta-feira, 21 de maio de 2010

DIFERENÇA ENTRE CORINTHIANS E FLAMENGO: DUAS SEMANAS

Amor com amor se paga. Sábio dito popular, e que também pode ser aplicado no futebol; basta lembrar das condições em que o Corinthians e o Flamengo foram eliminados da Libertadores 2010. Da mesma maneira que os corinthianos testemunharam o time jogando mais do que o próprio Flamengo no Pacaembu, os flamenguistas viram o Rubro-Negro dominar o jogo contra os chilenos do Universidad de Chile no estádio Santa Laura, em Santiago. A frustração da desclassificação, no entanto, foi a mesma tanto para paulistas como para cariocas.

Coincidentemente, ambos ganharam mas não levaram; coincidentemente ambos fizeram dois gols e tomaram um; e, coincidentemente, ambos não fizeram uma boa partida de ida, fator preponderante para a eliminação. Duas diferenças podem ser consideradas: primeiro que o Corinthians chorou em sua própria casa, enquanto que o Flamengo o fez bem longe do Rio de Janeiro - 2294 km separam a capital carioca da capital chilena -; e, segundo que o time da Gávea já conquistou a Libertadores (1981), enquanto que o Corinthians persegue esse título há quatro décadas.

Enquanto surgem as primeiras piadinhas, do tipo “qual a diferença entre Corinthians e Flamengo? Duas semanas”, resta aos torcedores dos clubes mais queridos do país torcerem pelo sucesso no Campeonato Brasileiro. A possibilidade da conquista da América fica para a próxima temporada. Antes, porém, há um longo e penoso caminho a ser percorrido.

José Donizetti Morbidelli
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